Entrevista: A atuação do Fisioterapeuta no combate à COVID – 19

Professora Nájala Borges

A Fisioterapia tem sido uma das áreas mais importantes no combate ao novo Coronavírus, atuando em equipes multidisciplinares que acompanham os pacientes desde a triagem até a reabilitação pulmonar, contribuindo no processo de tratamento e cura da doença.

A Faculdade Santa Terezinha (CEST) convidou a professora Nájala Borges Sousa, Coordenadora do Curso de Fisioterapia (vespertino e noturno) do CEST, para falar um pouco sobre sua atuação profissional na linha de frente no combate à COVID – 19, bem como sobre as perspectivas do mercado de trabalho para o Fisioterapeuta no pós-Pandemia.

Grande parte dos pacientes infectados por COVID-19 apresentam leves sintomas ou até mesmo são assintomáticos. Como o profissional da Fisioterapia atua nesse processo de triagem dos casos de maior ou menor complexidade?

“Os Fisioterapeutas estão inseridos desde a Atenção Primária à Saúde dentro da Unidades Básicas, até na Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Na atenção primária tem no seu cotidiano as medidas de prevenção da transmissão do coronavírus, conforme orientações do Ministério da Saúde. Além disso o Fisioterapeuta é capaz de avaliar sinais e sintomas quando diante de casos suspeitos ou confirmados de COVID-19, como: tempo de diagnóstico ou presença de sintomas, temperatura corporal (>37,8oC), presença e característica da tosse, presença e intensidade da dispneia, tempo desde o início da dispneia, saturação de pulso de oxigênio (≤94%), pressão arterial (<90/60 mmHg ou >140/90mmHg), presença de mialgia e fadiga. Ao realizar essa avaliação o paciente será classificado como de menor ou maior complexidade. Os casos de menor complexidade serão tratados e acompanhados pela Unidade Básica de Saúde. Já os casos de maior complexidade serão encaminhados a uma unidade de pronto atendimento e, se necessário, realizada internação do mesmo.”.

Em uma equipe multidisciplinar de atendimento, a Fisioterapia Respiratória desempenha um papel essencial no tratamento dos pacientes durante a infecção e também durante a recuperação deste paciente. Como é exercido esse trabalho e em quais situações?

“A fisioterapia respiratória é muito importante para pessoas que foram contaminadas pelo coronavírus, pois, o vírus ataca o sistema respiratório, provocando uma pneumonia viral que afeta a oxigenação do indivíduo. Além da inflamação, o uso da ventilação mecânica, apesar de indicada, pode mesmo assim causar prejuízos nas funções respiratórias dos pacientes. Nos casos leves a fisioterapia atuará nas orientações gerais de isolamento e cuidados com a saúde. Nos casos moderados e graves que necessitam de internação tem como funções: a instalação e monitorização da oxigenoterapia, auxilio e orientações no momento da intubação orotraqueal, instituição, manutenção/gerenciamento e retirada da ventilação mecânica invasiva. Além da função pulmonar, o fisioterapeuta cuida da capacidade funcional do paciente, prevenindo e minimizando as perdas motoras decorrentes do processo de imobilização no leito e uso de sedativos e bloqueadores neuromusculares.”.

Com a Pandemia, a sociedade passou a ter maior conhecimento sobre a atuação de alguns profissionais em áreas pouco conhecidas. Neste cenário, como a Sra. vê a atuação do Fisioterapeuta e quais são as perspectivas de trabalho pós-pandemia? Haverá uma maior demanda por profissionais da área?

“Houve um aumento da visibilidade da Fisioterapia na sua atuação hospitalar durante a pandemia da COVID-19. Muitas pessoas descobriram qual a nossa função e quão importante esse profissional é no contexto cardiorrespiratório. Apesar de recente, já sabemos que os casos graves da doença COVID-19 podem deixar sequelas importantes, como uma diminuição da capacidade cardiopulmonar e funcional, distúrbios neurológicos e alterações renais que comprometem a qualidade de vida. Portanto, após a Pandemia existe uma probabilidade de haver um aumento da demanda de pacientes com necessidades específicas para a fisioterapia. Já estamos nos preparando para essa nova demanda tanto como profissionais quanto como instituição de ensino superior. Além de um novo perfil de pacientes, viveremos “um novo normal” no que diz respeito às medidas sanitárias durante o atendimento de todos os pacientes, enquanto não houver ou tratamento curativo ou imunização adequada para o novo Coronavírus.”.

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